Rich Harman
Londoño pilotando a mítica Lotus 78 em Silverstone
Julho de 2009 definitivamente não foi bom para o automobilismo. Primeiro, Ricardo Londoño-Bridge era assassinado na Colombia, um dia depois, Henry Surtees, o filho do campeão mundial de Formula 1 em 1964, John Surtees, morreu em um acidente numa etapa do campeonato de Formula 2 em Brands Hatch, e agora, este acidente com Felipe Massa.
Hoje você verá um especial sobre o colombiano Ricardo Londoño.
Ricardo Londoño-Bridge (8 de Agosto de 1949 – 18 de Julho 2009)
Assassinado no último Sábado, dia 18 de julho, Ricardo morreu baleado com 12 tiros no ‘Boca de Tinajones beach resort’, San Bernardo del Viento, uma cidade próximo a Medelin. Outras duas pessoas também morreram, e ao menos mais uma ficou ferida. A polícia foi chamada, mas ninguém chegou a ser preso.
No ano 2000, Londoño perdeu (quase) toda sua fortuna, que era estimada em 10 milhões de dólares, depois que a polícia colombiana ligou seu nome ao tráfico de drogas nacional. Não chegou a ser preso, mas suas propriedades foram tomadas.
F1-rejects
Aqui, pilotando pela CanAm no Canadá em 1980
Sua carreira no automobilismo é bem, digamos, obscura. Começou a correr na Colombia mesmo. Participava de provas de motos com uma Yamaha 350cc e em provas de ‘stock cars’ locais, isso, nos idos dos anos 70.
Em 1979 mudou-se para os Estados Unidos para correr. Conseguiu um Porsche 935 turbo e foi parar na IMSA junto com John Gunn e George Garces, mas sua estadia por lá seria curta: 2 corridas e 45º na classificação final.
Mark Windecker
Aqui em Mid-Ohio. Pilotou bem na CanAm
Em 1980 partia para a CanAm pilotando um Lola T530 número 33 e equipado com um potente motor Chevrolet. Fez 9 corridas, e terminou 6 delas no ‘top 10’, resultado bem rasoável. Nos Estados Unidos era considerado um bom piloto destas ‘categorias médias’.
Pilotos rasoáveis por rasoáveis, o mundo estava “cheio”, mas Londoño tinha um grande, grandíssimo trunfo na manga, o dinheiro. Com os bolsos cheios de grana para gastar, Londoño conseguiu pela primeira vez, no final deste mesmo ano, pilotar um tão sonhado carro de Formula 1.
E-bay
‘Maltratou’ o Lotus 78
RLB pilotou o segundo carro da Colin Bennett Racing, nada mais, nada menos, do que um dos carros mais vitoriosos da Formula 1, o Lotus-Cosworth 78. A prova era a Pentax Trophy, última etapa do campeonato britânico de Formula 1 e disputada no glorioso circuito de Silverstone.
O senhor Colin Bennett estava todo contente em contratar aquele colombiano de 31 anos de idade e que esbanjava dinheiro como poucos. Até reforma na sua Lotus ele fez.
E-bay
Chegou em 7º na corrida
Mas não fazendo jus a Mario Andretti, Ronnie Peterson e a Gunnar Nilsson, Londoño só se classificou em 18º, a frente somente de dois carros de F2! Já na corrida, com a ajuda do excelente carro que tinha em mãos, cruzou a linha de chegada em 7º, mas a uma volta do vencedor (e campeão) Emilio de Villota.
Só que Londoño queria alçar vôos mais altos, e não só ficar nessa categoria de carros usados e ultrapassados. Ricardo teve um pouco de sorte, quando Colin Bennett estava se juntando à Moris Nunn em 1981.
Forix
A grande vez chegou. RLB andou na Ensign em 1981 …
Ralph Bellamy e Nigel Bennett vieram da Lotus para a Ensign em 1980, e lá construiram um carro completamente novo e competitivo, tanto que Clay Regazzoni sempre brigava por posições na frente do pelotão, se não fosse seu acidente em Long Beach, talvez conseguissem mas do que fizeram Tiff Needell e Jan Lammers naquele restante de ano.
Em 1981, a equipe correu a 1ª etapa, em Long Beach, com Marc Surer, mas agora, sem o principal patrocinador do time, a Unipart, Mo Nunn se viu em apuros financeiros novamente, mas Colin Bennett tinha como ajudá-lo.
Autor desconhecido
... mas só por pouco mais de 10 voltas. A FISA não lhe concedeu a licensa obrigatória para correr
A segunda prova do ano seria o GP Brasil no circuito de Jacarepaguá, que já havia sediado uma etapa válida para o mundial (1978), mas, mesmo assim, os dirigentes da categoria acharam melhor ter um dia a mais de aclimatização do circuito para os pilotos se acostumarem com o traçado.
Foi aí que Ricardo Londoño entrou. Numa quarta-feira de treinos, RLB deu pouco mais de 10 voltas na sua Ensign N180B antes de se enrroscar com a Fittipaldi de Keke Rosberg e abandonar a prática.
F1-Rejects
Surer salvou a pele de Nunn, e pilotou o carro de Londoño no GP Brasil. Terminou em 4º
O tempo de volta de Londoño ficou longe de ser ruim. Reutemann, o mais rápido, viraria 1.37.48, enquanto Ricardo ficava em 18º com um tempo de 1.41.77, uma posição atrás de Gilles Villeneuve, e uma a frente de Nelson Piquet.
Estava tudo indo as mil maravilhas para Ricardo, não fosse a FISA lhe negar a superlicença e colocar Mo Nunn de cabelos em pé mais uma vez. Agora sem piloto hábil para dirigir o carro, quem poderia salvar a pele de Nunn?
F1-Facts
Surer pilotou como gente grande
Ele mesmo, Marc Surer estava no Rio acompanhando os treinos quando, na 5ª a noite se encontrou com o desesperado Nunn no saguão do Hotel. Ele contou a Surer que não conscederam a liçensa para Londoño, e que precisaria dele pilotando amanhã o carro!
Surer aceitou, e não só conseguiu alinhar o carro para a corrida (18º), como chegou em 4º e fazendo a melhor volta da prova. Com a pista molhada, Marc Surer simplesmente detonou! Esta posição foi a melhor colocação que a equipe conquistou nos quase 10 anos de Formula 1 que já tinha.
F1-Rejects
Londoño chegou a pilotar na F2 antes de voltar para os EUA. Aqui, em PAU 1982
A partir dessa quase estreia de Londoño, sua vida no automobilismo foi entrando em decadêcia. Ainda em 1981, particpou em algumas etapas da F2 e se mandou de volta para os EUA onde correu esporadicamente até 1985 novamente na IMSA. Após esta data, se aposentou das pistas e voltou para a Colômbia.
Fontes | Forix, Wikipedia, Grandprix.com, F1-Rejects, Autoevolution, Colombia Reports, Forum Atlas
Comentários
Excelente memória sobre RLB mas apenas um pequeno reparo. O Pentax Trophy de 1980 não foi a última prova da Fórmula 1 Britânica. O Campeonato retornou em 1982 apenas com 10 pilotos e se alongou por 5 provas tendo sido campeão Jim Crawford
Nossa, nem me lembrava da British em 82. Obrigado Carlos, já corrigi no texto. Mas neste ano, o campeonato estava tão fraco, mas tão fraco, que na 1ª etapa do campeonato, em Oulton Park, apenas 4 carros largaram, e apenas 2 completaram... Um fiasco!
Abraços
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