Ayrton Senna 15 anos – Parte 2

Rianov 29 de abril 2009
effwune

Barrichello ficou morto por seis minutos

Prof. Sid Watkins

O início do grande pesadelo. Aos 15 minutos do primeiro treino livre para o GP de San Marino, em uma volta rápida, Rubens Barrichello retarda demais a freada da Variante Basa, erra a entrada da curva, pega a zebra na saída como plataforma de lançamento, e vai de encontro à barreira de pneus e ao alambrado que ficava ao lado da curva. Tudo isso a mais de 200 km/h.

A Jordan capota e dá dois giros antes de parar, semi destruída, a uns 100 metros à frente. Rubinho sofreu um “abalo neurológico” e ficou asfixiado pela própria língua durante seis minutos. As coisas não começavam bem.

adrivo.com

Sua face estava distante, seus olhos estavam mareados e, durante a conversa, perdeu seu foco usual

Mark Fogarty, Carweek

Senna ficou muito abalado com o acidente de Barrichello, de quem se considerava um irmão. Depois de sair do centro médico em Ímola, Ayrton tinha uma entrevista marcada com Fogarty: “Senna parecia cansado e disperso”.

A conversa se desenrolou com assuntos que ligavam Senna a seus inúmeros negócios fora da Formula 1, e aos problemas no FW16. A conversa foi interrompida com um dos engenheiros da equipe querendo Ayrton para uma reunião. Senna remarcou a continuação desta entrevista para a semana seguinte.

adrivo.com

Por que ele está assim? Eles eram amigos?

Adrian Newey, projetista da Williams em conversa com Betise Assumpção

No minuto 18, já no treino de sábado que iria definir o grid de classificação, a asa dianteira da Simtek, do Austríaco Roland Ratzenberger, quebrara no início da curva Villeneuve, ponto este, o de maior velocidade do circuito.

A Simtek segue reto de encontro ao muro à 315km/h, bate forte, dá uma rodada, e para no meio da curva Tosa com seu lado esquerdo totalmente destruído. Podia-se notar um grande buraco no cockpit. Através dele via-se o braço de Ratzenberger, inerte, imóvel.

O capacete de Roland caíra para o lado, em uma cena absolutamente terrível e desoladora. Podiam-se ver manchas de sangue em cima da viseira, pelo lado de fora do capacete. Tudo isso era mostrado ao vivo pala TV para quase todo mundo.

Nos boxes da Williams, Senna iria para um canto e chorava. Chorava muito, compulsivamente. Ele foi um dos que mais sentiu a morte do companheiro.

adrivo.com

Existem coisas que fogem ao meu controle, preciso continuar

Senna a Watkins

Horas depois, Senna foi até a Tosa e conversou com seu amigo Sid. Ele o aconselhou a parar naquele momento. Era desnecessário correr este tipo de risco. No retorno ao Motorhome da Williams, Senna se trancou por uma hora e refletiu sobre os acidentes. Em seguida, pediria a Frank para enviar à direção de prova, sua posição: Ele queria a suspensão da corrida, o motivo era a desestabilização dos pilotos.

A direção de prova não acatou o pedido de Ayrton, como ainda o ameaçaram de punição por causa de sua ida à pista sem autorização.

f1nutter

(FW)- Você que conhece bem o Ayrton, acha que ele vai correr amanha?
(GB)- Não só acho que vai correr, como vai fazer de tido para ganhar.
(FW)- Você acha mesmo?
(GB)- Acho não! Tenho certeza

Conversa entre Frank Williams e Galvão Bueno no anoitecer de sábado.

Frank estava preocupado com o estado de Ayrton. Segundo Patrick Head, ele nunca pressionaria Ayrton a correr, mas o fato dele ter presenciado uma morte “ao vivo” na F1, o abalara. Desde 82 a Formula 1 não vivia este triste dia em GP’s oficiais.

Quando Riccardo Paletti morreu, na largada do GP do Canadá, Senna era apenas um aspirante à categoria. O máximo que Senna viveu, foi a morte de Elio de Angelis em 86, quando seu ex-companheiro de equipe na Lotus, sofrera um acidente fatal em testes privados em Paul Ricard.

flickr

Preciso lhe dar umas palmadas

Ayrton à Adriane

O dia péssimo de Senna conseguiu ficar ainda pior. Uma fita lhe foi entregue por seu irmão Leonardo. Nela continha uma gravação de um telefonema entre Adriane Galisteu e um ex-namorado. Poucas pessoas tiveram acesso a essa tal fita, mas Braguinha, amigo de Senna, afirma que, na gravação, o ex de Adriane não foi, digamos, muito afetuoso com ele.

Mais a noite saiu para jantar com seus amigos: Galvão, Braguinha, Jakobi, Leonardo entre outros. O tema de quase todo o jantar foi Ratzenberger.

Antes de dormir, já de volta ao hotel, Senna passou no quarto de Frank e lá tiveram uma conversa de uma hora. Eles conversaram sobre Ímola e os próximos GPS. Frank revelou a Nigel Rouback que tinha absoluta certeza que Senna estava recuperado e pronto para a corrida.

myspace

Jo, nosso querido esporte não perdoa. Está sempre nos lembrando que é perigoso

Senna antes do Warm-up de Domingo

Tudo o que todos queriam era um domingo de paz em Ímola. Feriado lá como aqui, todos queriam saber como Senna reagiria aos acontecimentos dos dias anteriores. No sábado ele tinha feito a pole position antes do acidente de Roland, e até então, não tinha voltado à pilotar.

myspace

Em primeiro lugar eu queria mandar uma mensagem para Alain Prost: Alain, eu sito falta de você

Senna via rádio para TV francesa TF1, durante sua 1ª saída do Box

Em sua 1ª ida à pista após os acontecimentos, Senna, assim como em Interlagos, narra sua volta rápida pelo circuito, mas antes, diz essas palavras para o novo comentarista da TF1, Alain Prost.

Para espanto geral, Senna foi um segundo mais rápido que Schumacher no Warm-up. Já no briefing antes da largada, Senna, novamente por motivos de segurança, não queria a presença do Safety car na volta de apresentação. Segundo ele, isso prejudicaria o aquecimento dos pneus. Ninguém parecia “dar muita bola” para o fato. O briefing foi interrompido por conta de um grave acidente na copa Porsche preliminar da corrida.

As coisas não iam bem…

Fontes | Ayrton, o herói revelado; Caminho das borboletas; Revista Veja; Revista F1 Racing

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3 Comentários

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  • 1
    Natália Perez

    Lendo este ost hoje, várias coisas vieram a cabeça… lembro de como foi a sensação de ver o acidente do Ratzemberg e perceber que ele havia morrido naquele momento e que havia sido testemunha de algo tão brutal… era tb a primeira vez que “presenciava” uma morte ao vivo na Fórmula 1. Lembro do meu desespero e da minha vontade de conversar e contar o ocorrido e tentar entender o que se passava… A sequência de fatos que ocorreram naquele fim de semana realmente foram muito fortes e marcantes…
    A série tá ficando muito boa, Rian! Parabéns!!!

    Naty

  • 2
    Janus

    Por alguma estranha razão não assisti o treino classificatório naquele dia. Sorte minha, provavelmente, acabei poupado de presenciar aquilo ao vivo. Não que eu fosse muito novo, não acho que teria ficado impressionado ou coisa assim, também não aconteceu no dia seguinte. Mas olhando pra trás, não me acrescentaria muita coisa se tivesse visto “em primeira mão”.

    Ótimo texto Rian, frases fortes, escolhidas a dedo hein!

  • 3
    Kadu Nogueira

    Parabéns pelo especial, realmente muito bom! Mas tenho que fazer uma crítica, o excesso de negritos é muito chato e atrapalha a dinâmica do texto.

    É um recurso válido se usado com parcimônia. Um negrito a cada quatro palavras enche um pouco o saco e torna a leitura cansativa.

    Um abraço a todos!

    Kadu

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