Nova lei pode proibir motos de andar entre os carros

Alessandro Temperini 29 de dezembro 2009

Foram aprovadas, pela Comissão de Viação e Transportes da Câmara, novas leis que fazem parte da 1ª revisão do código de trânsito brasileiro.

A relatora do Projeto, Deputada Federal pelo Espírito Santo, Sra. Rita Camata, já apresentou o seu parecer à subcomissão praticamente aprovando todas as alterações, fazendo pequeninas mudanças, entretanto, os pontos que afetam diretamente a nós motociclistas, foram mantidos.

Entre essas medidas a que está causando mais alvoroço é a lei que proibi o motociclista de trafegar pelos corredores de trânsito.

O assunto é polêmico e já causa discussões há alguns anos. A nova lei diz que está proibido a circulação de motocicletas entre os outros veículos, com a ressalva de rodar no corredor quando o trânsito estiver parado e isso com velocidade moderada.

A multa é estipulada é de R$ 191,54 e alguns pontos na carteira de habilitação. O processo ainda precisa passar pelas Comissões de Finanças e Tributação e Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado para ser regulamentado.

Porém há uma grande massa de motociclistas avesso a ideia, e eu, um motociclista diário paulistano, engrosso essa lista. Claro que acho perigoso andar entre os carros, mas em uma cidade como São Paulo, qual seria a utilidade de uma moto senão a rapidez para chegar ao seu destino?

Em cima de uma moto pegamos chuva, aspiramos fumaça de caminhões e ônibus, passamos um calor infernal dentro dos capacetes e sofremos com a falta de educação de motoqueiros e alguns motoristas.

Acredito que se forçarem os quase meio milhão de motos que rodam diariamente pelas ruas de São Paulo a andarem atrás dos carros teremos recordes e recordes de trânsito congestionado na cidade. Basta passar umas 8h30 da manhã pela Radial Leste, Av. 23 de maio ou Av. Faria Lima para constatar o que escrevo. Isso sem falar na Marginal.

Acredito que a Deputada Rita Camata e o Deputado Federal por São Paulo, Carlos Zarattini (ex Secretário de Transportes na gestão Marta Suplicy) que apresentou no ano passado o Projeto de Lei, não vão conseguir outra coisa com isso a não ser mais acidentes e mais trânsito.

O trânsito vai aumentar muito e irritar motoristas que vão causar acidentes com motociclistas que estiverem parados um atrás do outro na frente dos carros. Sei disso porque vivo isso. 90% dos motoristas que trafegam no trânsito de São Paulo não toleram quem anda sobre duas rodas.

O que falta no trânsito brasileiro é organização e educação. Pontos esses que não são sequer relacionados nas quase 1.600 propostas enviadas para a análise da Comissão.

Temo por dias ruins para nós motociclistas.

Fontes | Duas Rodas e Blog do Claudio Cordeiro
Foto | Motos BR

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7 Comentários

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  • 1
    Thiago

    Boa tarde, concordo com sua opinião em partes. O grande problema e que alguns motociclistas abusam dos corredores, transformando-os em pistas de corrida. Ainda tem o fato de que quando algum veículo quer mudar de pista e liga a seta, ai que nenhuma moto para mesmo. Infelizmente todos nós pagamos pelo erro de poucos.

  • 2
    Carlos

    Infelizmente a maior parte dos abusos que vejo diariamente no trânsito de São Paulo são cometidos por motociclistas. O mesmo vale para os acidentes com vítimas. Andar entre os carros quando o trânsito não está parado é uma situação de alto risco e deve mesmo ser melhor controlada, e não vejo outro meio de fazer isso em curto/médio prazo que não seja através de legislação e multas.

    Eu sou um motorista que respeita as motos. Tento sempre manter distância de segurança e quando há um motociclista perto fico atento para o que ele vai fazer. Infelizmente grande parte parece que não dá a mínima para a própria segurança, assumindo posições de desnecessário risco e esquecendo que nem sempre os demais motoristas estão cientes que uma moto os está ultrapassando pela direita entre carros ou no espaço mínimo entre o carro e a guia da calçada direita.

  • 3
    Vicente

    Tenho respeito não pelo motoqueiro, pelo motorista, pelo pedestre, o que tenho é respeito pela vida humana. Procuro atender ao máximo não só as leis de transito, mas tambem à prudencia para evitar algo que algo que eu faça possa atingir ao meu semelhante. Creio que muitas pessoas pensam da mesma forma, mas é impossível faze-lo quando o outro não se preocupa com a própria vida. Vemos uma quantidade enorme de condutores de motos fazendo asneiras como se esses fossem super-herois ou personagens de desenho animado que ao sofrerem um acidente, no próximo quadrinho já estarão refeitos com se nada tivesse acontecido. Há muitos motoristas irresponsáveis fazendo toda sorte de estupidez no transito, mas o motoqueiro tem que pensar que ele é a parte mais frágil e por isso mesmo defender a sua própria vida antes de tudo. Quantos de nós motoristas levamos um susto quando uma moto lhe aparece de repente ultrapassando pela direita, outra pela faixa divisória entre as faixa, outro sem mais nem menos surge de detras de um veículo como do nada. Pois é, some-se a isso as preocupações com buracos; semaforos; velocidade máxima; sinalizações de trânsito e temos aí todas as condições para um acidente sério. Quando cada um se preocupar consigo e com os outros a vida será mais fácil para todos.

  • 4
    Marcus

    Quando vc usa a frase “90% dos motoristas que trafegam no trânsito de São Paulo não toleram quem anda sobre duas rodas.” me parece algo um tanto absurdo. Desconheço a publicação de onde você tirou esta informação. Existe conflito entre as duas categorias de motoristas (afinal o motociclista também é um motirista)que em geral tem origem nas duas categorias.
    Se por um lado os motoristas de carros ficam estressados por ficarem parados no trânsito, por outro lado temos motociclistas que não respeitam o simples fato de um motorista mudar de faixa, dando sinal e tudo o mais. Existem boçais nas duas categorias e isto é uma questão de educação.
    Sou também motorista categoria A e passo boa parte do meu dia sob duas rodas enquanto o carro repousa na garagem, mas não consigo identificar os 90% descritos na citação.
    Sugiro que para a afirmação não pareça mentirosa, que o articulista coloque a fonte da informação.

  • 5

    Marcus, a informação não é um dado estatístico feito por nenhum centro de pesquisas, e sim informação retirada de uma estatística por amostragem que você também pode fazer.

    Junte 10 amigos que sejam “apenas motoristas” e pergunte a esses 10 o que acham dos motociclistas e motoboys no trânsito de São Paulo. Após ouvir a resposta dos 10 verá que essa porcentagem que cito não é mentira.

    Fiz esse teste aqui na empresa que trabalho com 10 amigos e 9 se estressam com os motoboys ou pessoas em 2 rodas que andam nos corredores da cidade.

    Que há bosais em ambos os lados, eu sei e deixo isso claro no texto: “O que falta no trânsito brasileiro é organização e educação. Pontos esses que não são sequer relacionados nas quase 1.600 propostas enviadas para a análise da Comissão.”

    O texto desta postagem foi feito na visão de um motociclista que anda diariamente pela cidade de São Paulo em suas principais vias.

    Abraços
    Alessandro
    Editor do Motorpasión Brasil

  • 6
    Marcus

    Alessandro

    Eu até entendo que você possa ter realizado um levantamento amostral dentro do seu local de ocupação laboral.
    Mas todos sabemos que qualquer dado informado requer informação sobre a sua procedência. Princípios básicos de casualização e repetição são necessários para qualquer trabalho tanto para a comunidade acadêmica como a sociedade em geral. Este rigor traz seriedade para a informação.
    Quando fazemos um levantamento com questões abertas do tipo “você não tolera…..” acho que a análise é substancialmente dificulutada, talvez até invalidada.
    O levantamento feito no local de trabalho caracteriza a representatividade do levantamento? Eu arrisco a dizer que não, mesmo não conhecendo o local do levantamento.
    A minha preocupação é de que um estudo “umbilical” possa “criar jurisprudência” para um pensar que muito pouco agrega à melhoria do trânsito de nossas vias.
    Devemos colocar como nossa opinião, mas não como resultado de um levantamento. Para afirmarmos com rigor devemos ter todo um embasamento teórico metodológico para tal.
    Quantos jovens já via serem questionados na banca para o Mestrado sobre a representatividade da amostra. E quase são reprovados; na verdade alguns foram.
    Me perdoem os leitores se peco pelo cuidado com a origem da informação, mas este rigor se faz necessários. Nas aulas de estatística experimental sempre conto aquela história clássica: “se você comeu dois frangos e eu nenhum, na média foi comido um frango por pessoa, então posso deduzir que nós dois estamos bem alimentados.”
    Acho que todos nós sabemos que isto não é verdade!

    marcus

  • 7
    Biramr

    Marcos e Alessandro

    Sou motorista das duas categorias, ambos tem razão em alguns pontos, mas, é fato que a proibição das motos nas marginais pista expressa e av. 23 de maio, causará um problema muito serio que realmente ira gerar mais acidentes, uma vez que nas pistas locais não existe nenhum controle para que ônibus e caminhões trafeguem na pista da direita.
    Com certeza, parar na frente de um caminhão, onibus, e carro com uma moto é no mínimo falta de inteligência e é questão de tempo para que muitos, mas muitos motoqueiros sejam esmagados no transito em engavetamentos ridículos que acontecem diariamentemas que nínguem cita pois não há estatistica desses acidentes de pequena monta. Agora imagine esses engavetamentos que vemos diarimante, imaginou?
    Agora coloque um motoqueiro esmagado no meio dele.

    Acho que entenderam meu ponto de vista.

    Grande abraço

    Bira

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