Eu poderia começar dizendo que pressionei a chave e em seguida o botão “start” do MINI E e não ouvi nada. Isto seria óbvio, pelo fato de ele ser elétrico. Mas o cenário não me permite. Apsar de tudo o clima era de despedida. O trecho de teste do MINI E havia sido montado em um trecho desativado do Autódromo Internacional Nelson Piquet (Autódromo de Jacarepaguá), que nos próximos dias, meses – sebe-se lá quando – será demolido para dar lugar a estruturas para as Olimpíadas, algumas temporárias, diga-se. Esta foi, certamente, a última vez que pisei nele.
A promessa é que um novo autódromo tenha sua construção iniciada em janeiro de 2013 em outro ponto da cidade, em Deodoro. Talvez isso até saia mais barato. Apesar de toda a história do circuito, ele está em péssimo estado, irreconhecível, depredado. Do lado de fora é possível até encontrar restos de chassis da antiga Clio Cup. Para reformar e enquadrá-lo nos atuais padrões da FIA, seu percurso teria que ser modificado novamente. E sua velha identidade já se foi há anos. Triste é que tudo o que se refere ao novo autódromo ainda é muito obscuro, e é melhor não entrar no mérito da questão.
Fato é, que pude guiar uma das quatro unidades do MINI E trazidas para demonstrações durante a Rio +20, que acaba hoje na Cidade Maravilhosa. E novamente um elétrico me surpreendeu.
Após dar uma volta com um Volvo C30 Eletrico, em abril, desta vez sentei ao volante de um elétrico menor e ainda mais potente. São 150kw de potência, ou melhor, 206 cv. Quase os 211 cv de um Mini John Cooper Works, o mais potente. E o torque de 22 kgfm, maior que o de muito 2.0, está sempre 100% disponível. Na hora de arrancar com o carro, não fosse o controle de tração, eu teria queimado borracha… O 0 a 100 km/h é cumprido em 8,2 segundos, mas a velocidade máxima, como na maioria dos elétricos, é baixa 152 km/h. Nada mal para um carro com menos de 4 m de comprimento e 1660 kg…
A diferença no comportamento se dá pelo fato de o banco traseiro ter dado lugar a 5.088 células de baterias de ion-lítio, e por coolers que as refrigeram. Peso suspenso que elevou o centro de gravidade do compacto, e fez com que a suspensão fosse reajustada, permitindo que sua agilidade característica fosse mantida. O controle de estabilidade tem seu trabalho muito perceptível nas curvas.
Duas voltas no pequeno circuito e, em nenhum momento pisei no freio. Fiz isso apenas para dar partida. O motivo? Ao retirar o pé do acelerador o freio motor reduz tanto sua velocidade que até as luzes de freio acendem. A energia cinética liberada neste momento está sendo canalizada para recarregar as baterias. . É como o sistema KERS da Fórmula 1, só que neste caso repõe até 20% da bateria. A carga é indicada atrás do volante, onde numa unidade “normal” estaria o conta-giros.
Pouco mais de 600 unidades como esta circulam nas mãos de um grupo seleto de clientes e empresas. A intenção é que logo – certamente na próxima geração do MINI Cooper, que será apresentada este ano – a versão elétrica seja produzida em série. Será que o novo autódromo do Rio de Janeiro será inaugurado antes do lançamento do MINI E definitivo?
Fotos | Henrique Rodriguez
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